Nampula, Moçambique, 25 set (Lusa) – A primeira associação de prostitutas e toxicodependentes moçambicanos foi hoje criada em Nampula (norte) para prevenir e combater comportamentos de risco e lutar por uma maior integração na sociedade.

Denominada “Othola”, que significa procurar em macua, a língua mais predominante no norte de Moçambique, a associação conta nesta primeira fase com 60 membros que elegeram os órgãos directivos para um mandato de cinco anos.

A associação já esboçou um plano estratégico para o biénio 2012-2014 que contempla as áreas de prevenção e combate ao VIH/SIDA, drogas e álcool, tratamento e cuidados domiciliários, advocacia e recreação e medicação.

Os associados queixam-se de “exclusão social” e reclamam a integração em vários projectos de auto-emprego e geração de rendimento, de forma a reduzir a sua vulnerabilidade.

Em entrevista à Agência Lusa, após ser eleito para presidente da Othola, Hélder Lopes disse que a associação pretende alertar os membros e a sociedade, em geral, para alguns riscos comportamentais.

Sónia Guilherme, vice-presidente da assembleia-geral, disse à Lusa que as chamadas “trabalhadoras do sexo” vão desencadear uma campanha de sensibilização para os “grupos de alto risco” (prostitutas, toxicodependentes, camionistas e mineiros) para o uso de preservativo, uma medida que visa evitar a propagação do VIH/SIDA no seio daquela camada social.

Para a psicóloga Teresa Foia, assistente técnica da Othola, o grupo carece ainda de uma formação em matéria de associativismo, liderança e gestão de conflitos para uma melhor inserção na sociedade.

Teresa Foia destacou a pobreza, o fraco nível de escolarização e a frustração na família como algumas das causas que motivam o consumo de drogas e prática do sexo pago, algumas vezes desprotegido.

Uma pesquisa recentemente realizada constatou a existência de um aumento no número de consumidores de droga e prostitutas em toda a província de Nampula. Lusa/Fim

2017-05-30T09:27:35+00:00