Esta quinta-feira é o Dia Internacional de Trabalhadores do Sexo. Em Moçambique, a ONU Mulheres e o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Sida, Onusida, Unaids, juntam-se à celebração da data com vista a reiterar a dignidade e os direitos da classe.
A Rádio ONU em Maputo ouviu o assessor dos Direitos Humanos e Género no Onusida, Christian Durisch, que explicou a importância da efeméride.

Discriminação

“A importância reside em empoderar este grupo. Para nós do Onusida/Unaids, o importante é empoderar as pessoas para que elas tomem em suas mãos a questão de saúde, que muitas vezes essas pessoas, trabalhadoras de sexo que vivem em um ambiente que as descrimina, têm falta de auto-estima e também do poder de negociação no momento, quando se trata, por exemplo, de insistir no uso de preservativos.”
Segundo Durisch, “os problemas que as trabalhadoras do sexo enfrentam são comuns em muitos países”.

“Em alguns países é incluso ainda mais porque são criminalizados, o que não é o caso de Moçambique, não são criminalizados, mas tampouco são protegidos. Falta, por exemplo, o marco legal que protege o trabalho do sexo. Para nós, é importante criar um ambiente favorável para que as trabalhadoras do sexo possam fazer suas decisões que, no final, tenham um resultado na sua saúde.”

Combate ao HIV

Dados de 2011-2012 em Moçambique apontam as trabalhadoras do sexo como uma população chave no combate ao HIV.
“São estimativas muito úteis para desenvolver políticas para atacar o problema. Estima-se que Maputo tenha 13,5 mil trabalhadoras do sexo. Se falam de quase 7 mil e, em Nampula, quase 7 mil também.”

A prevalência do HIV entre mulheres trabalhadoras de sexo é duas vezes mais alta que na população adulta feminina em geral, 12.4%. Cerca de 30,2 % das novas infecções anuais acontecem no grupo composto por trabalhadoras de sexo, seus clientes e parceiras dos clientes.

2017-05-30T09:34:13+00:00