Maputo, 11 Dez (AIM) – A cidade de Maputo apresenta o maior índice de prevalência do HIV no seio das Mulheres Trabalhadoras de Sexo (MTS) com um total de 31,2 por cento de infectadas, revela um relatório divulgado hoje, em Maputo, pelo Instituto Nacional de Saúde (INS).

Segundo o documento, segue a cidade de Beira, capital da província central de Sofala, com 23,6 por cento e depois a cidade de Nampula, capital da província nortenha com o mesmo nome, com 17,8 por cento.

“Isto quer dizer que 3 em cada 10 MTS, em Maputo, 2 em cada 10 mulheres, na Beira, e 2 em cada 10 mulheres, em Nampula, tinham HIV. Cinco em cada 10 mulheres, em Maputo, 8 em cada 10, na Beira e 9 em cada 10 em Nampula não sabiam que eram seropositivas”, disse Ângelo Augusto, investigador do INS, durante a apresentação do relatório.

O estudo, que cobre apenas as três maiores cidades de Moçambique, indica a existência de 13.554 mulheres trabalhadoras de sexo na cidade de Maputo, Beira (6.802) e Nampula (6.929).

Refira-se que Moçambique é um dos países da África Austral que apresenta um dos maiores índices de prevalência do HIV, com 12,5 da sua população sexualmente activa infectada.

De um modo geral, a zona sul de Moçambique regista um maior índice de infectados com 21 por cento, seguida pela zona centro com 18 por cento e norte com nove.

O inquérito revela que a prevalência de HIV entre as MTS foi mais alta em mulheres na faixa etária igual ou superior a 25 anos comparativamente a faixa 15 a 24 anos.

“O inquérito estimou que 2 em cada 100 mulheres adultas, em Maputo, eram mulheres trabalhadoras de sexo, 5 em cada 100 são trabalhadoras de sexo em Nampula e Beira”.

O estudo apurou que entre as mulheres trabalhadoras de sexo, 14, 2 por cento de Maputo, 26,6 por cento da Beira e 37, 2 por cento de Nampula não usaram o preservativo na última relação sexual com um cliente.

“Também 40,7 por cento das MTS em Maputo, 46,8 por cento em Nampula não usaram o preservativo na última relação sexual com um parceiro que não era cliente”, disse a fonte.

Durante o inquérito constatou-se, segundo Augusto, que a metade desta população não tinha conhecimento correcto sobre os modos de transmissão e prevenção do HIV. “Algumas mulheres em Maputo (47,6 por cento), na Beira (38,8) e em Nampula (47,3), ainda acreditavam, incorrectamente, que o HIV pode ser transmitido através de uma picada de mosquito.”

“Em Maputo 47, 6 por cento não tinham conhecimento, enquanto na Beira 32,8 por cento e 47,3 por cento em Nampula”, disse Augusto.

Outro problema apontando pelo relatório foi o desconhecimento por parte das MTS dos locais para a realização dos testes de HIV. Por exemplo, 7,1 por cento em Maputo, 14,5 por cento na Beira e 15,0 por cento em Nampula desconhecem um lugar para fazer teste de HIV.

Augusto refere que em cada 10 mulheres, três em Maputo, quatro na Beira e igual número em Nampula nunca tinham feito um teste de HIV.

“Durante a sua jornada laboral, quatro em cada 10 mulheres em Maputo, foram violadas sexualmente nos últimos 6 meses. Enquanto isso na cidade da Beira 12 foram violadas e 15 em Nampula,” lamentou.

Com vista minimizar este cenário o relatório recomenda que se faça um programa de testagem para as MTS.

“Há mulheres que não usam, nas suas relações sexuais, preservativos. Por isso, há necessidade de melhorar os programas que ajudam a mobilizar relações sexuais, especialmente em relações com clientes”.

“O inquérito mostrou que um número importante de mulheres com 15 anos ou mais tem HIV. Por isso, recomenda-se ao planificar os cuidados de saúde e para compreender melhor o HIV em Moçambique é preciso tomar em conta as MTS”.
(AIM)
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(AIM)

2017-05-30T09:24:33+00:00